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Traduzindo a frase do título acima é atribuído ao general e cônsul romano Júlio César que veio mais tarde a se tornar Imperador Supremo do império romano em quer dizer o seguinte: VIM, VI e VENCI. Segundo nos contam os livros de história, no ano 47 antes de Cristo – ele teria assim falado para enaltecer sua recente vitória sobre ninguém menos do que o temido líder bárbaro Fárnaces II do Pontonas na batalha de Zela. A frase serviu tanto para proclamar seu feito, como também para alertar os senadores de seu poder e liderança militar – para refrescar a memória do hipotético leitor… é bom lembrar que Roma passava por uma sangrenta guerra civil.

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João César Júnior é um elegante e discreto enxadrista nativo dos pagos de Uruguaiana que recentemente sustentou a alcunha de Plínio o Jovem – mas como num passe de mágica e seguindo a rapidez com que as circunstancias mudam nossa vida no cotidiano – de Plínio para Imperador César (não João, mas Júlio) – bastaram poucas horas. De acordo com os registros do Bobby Fischer Xadrez Clube, César venceu três torneios dos quatro que o BFXC arbitrou recentemente. Se acharem pouco – não esqueçamos que os adversários dele de longe não eram alijados e muito menos galinhas mortas. Calculando rapidamente ele conquistou 25 pontos dos 28 disponíveis somando os quatro torneios: um em Barra do Quaraí, dois em Manoel Viana e este último em Santana do Livramento dia 7 (primeiro domingo de abril) quando não só veio como encarou e venceu a todos.

Tendo partido de Uruguaiana por volta das 06h00min da manhã deste domingo – o carro vermelho conduzido pelo Plínio o velho (João César da Rosa) trazendo na bagagem além da esperança e expectativa de uma boa participação no torneio em Santana do Livramento, na carona (como não deveria de ser) seu filho César Júnior ou popularmente conhecido por Plínio o Jovem logo ganhou velocidade. O asfalto em boas condições aliado ao potente motor do carro e as longas retas de sobremaneira o convidaram o orgulhoso pai a pisar fundo no acelerador e ganhar velocidade. O tracejado do asfalto passava rapidamente. Estava amanhecendo. A bruma da manhã revelava uma dúvida. Choveria ou não. Tudo dava a entender que sim. Demorou um pouco para clarear e eles tiveram cautela e alguma dificuldade ao transitarem pelas sinuosas curvas que circundam o místico Cerro do Jarau em Quaraí. João César Júnior dormia como um bebê embalado ao som relaxante de uma valsa de Strauss que tocavam lentamente no rádio do carro quando João César ingressou nas cercanias do misterioso cerro do Jarau. Ele ouvira muitas histórias que vieram à sua memória  crepitando seus ouvidos e um frio ao longo da espinha  lhe causou arrepios.  Logo pensou em acordar o Júnior para conversarem um pouco até que passassem por aquele trecho. Que nada. Era um cinquentenário e valente homem ou um covarde rato. A resposta logo veio com um leve tremor nos ombros e um pisar mais fundo no acelerador. Quanto mais cedo saísse daquele lugar, melhor. Mas e as curvas. Que se lixem. Ainda se considerava um bom motorista. Mas havia um empecilho. A bruma do amanhecer estava se transformando em cerração obrigando o valente motorista a botar a faca nos dentes, segurar firme a direção e acelerar. Nas pequenas retas isso funcionou, mas lá na terceira curva quase perdeu a direção. O para-brisas  insistia em ficar embaçado por dentro e úmido por fora. Ligou o temporizador das palhetas do vidro, mas não adiantou. Era necessário acionar o esguicho e ajudar com água do reservatório. Que diabo! De tanto usar acabou secando o reservatório d’água ou estava quase seco. Não soube a resposta. Seguiu dirigindo em condições adversas. Queria sair daquele trecho o quanto antes. Só que de repente foi além da conta e acabou fazendo uma curva quadrada – ou quase. O suficiente para elevar seu cansado coração – que já estava no vermelho, próximo das 145 batidas. Que perigo em um homem na idade dele. Não teve outra alternativa se não recorrer aos freios. Para um motorista por mais inexperiente que seja, frear no meio de uma curva nunca é recomendável. Mas se não  fizesse eles seguiriam reto e cairiam no barranco.  O violento ranger nos pneus acordou Júnior. “AH, que houve pai?”… Nada meu filho um Capincho passou na frente do carro (mentiu) disse César para disfarçar seu medo. Mas como seu filho resolveu não mais seguir dormindo a atmosfera de medo não demorou em passar.

Após passarem por Quaraí o asfalto lisinho convidou novamente a testarem os limites de seu automóvel. A velocidade diminuía somente nos grandes aclives que por vezes o forçava a reduzir para quarta marcha. Mas ao começar a descida, engatava a quinta e novamente se transformava num ponto vermelho voando pela estrada sob o ponto de vista de um observador a distancia em cima de seu pangaré fazendo sua lida campeira matinal cuidando do gado e das ovelhas.

O8: 30 da manhã. Adentraram no perímetro urbano, ou quase isso, ao deixarem a Br395 para dobrarem a direita no trevo do Comodoro e ingressarem na Br158. A partir dali seria um tapa. Pouco mais três quilômetros até a Escola Celina Vares Albornoz. João César tinha duas vantagens. Conhecia Santana do Livramento como a palma da mão, pois trabalhara e residira aqui por muitos anos e o GPS do carro estava funcionando direitinho.

Eles só não foram os primeiros a chegarem porque um estreante (novato) e não menos abnegado pelo xadrez havia chegado antes. Trata-se do jovem León Cáceres de 18 a nos e semblante de cadete.

Os primeiros madrugadores tiveram o privilégio de serem recebidos pela Diretora SÍLVIA MORAES e o jornalista Pedro Nicola… mas a tropa de elite restante começou a chegar aos poucos!

De sorrido fácil e cativante João César – ou Plínio o Velho,  não exitou em cumprimentar a todos aqueles que estavam na escola, em especial toda cúpula do Departamento Social do BFXC e o corpo diretivo da Escola Celina Albornoz que tem no comando a diretora Silvia Moraes. Aos poucos os pretendentes ao título máximo ou na pior das hipóteses um dos muitos troféus e encher o bucho com o espetacular almoço que estava sendo preparado pela vice-diretora Cláudia Diehl e a colaboradora emérita Rosa Canto que consistia nem uma feijoada completa, entenda-se aqui completa mesmo com tudo que tem direito (só faltou laranja), salada, pão, farofa com calabresa e couve refogada. Tudo a vontade, servido gratuitamente numa cortesia  SUL FRANGOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS DE SANTANA DO LIVRAMENTO  juntamente com apoio do empresário Sérgio Renato Oliveira – proprietário da provedora de internet VIA EXPRESSA

Contudo – voltemos uma semana e pouco no tempo. Um telefonema de um dos proprietários da empresa Sul Frangos  ao presidente do Bobby Fischer Xadrez Clube – Jornalista Pedro Nicola dava conta que a em presa capitaneada por sua família se dispunha a colaborar no que fosse necessário. A ajuda veio através do provimento de praticamente todos os mantimentos necessários para um frondoso e suculento almoço aos participantes. E assim aconteceu. Na sexta-feira dia 5 de março (dois dias antes do grande acontecimento) – um doa filhos (o caçula)  ÊNIO JÚNIOR (foto abaixo) recebeu o jornalista para efetuar formalmente a entrega da preciosa doação.

09h30min. Dando seguimento ao protocolo e principalmente cumprindo à risca  o horário da programação o evento teve início com o discurso emocionado da diretora Sílvia que deu as boas vindas a todos os presentes entre enxadristas, alunos, organização e acompanhantes enaltecendo a importância do inédito acontecimento e deixando as portas da escola sempre abertas para acolher projetos da magnitude como são realizados pelo presidente do Bobby Fischer Xadrez Clube –  o  jornalista Pedro Nicola.

Rasgações de seda daqui e dali – e após um breve Congresso Técnico teve início o torneio  967 encurtando para 33 o número  de torneios para que o clube atinja a milésima atividade em seus 29 anos de existência.

ENQUANTO ISSO. NA MESA 01!

Naquela mesa ele sentava sempre (aqui entendamos como a mesa um do xadrez…)

E me dizia sempre o que é viver melhor (aqui uma alusão às vitórias memoráveis…)

Naquela mesa ele contava histórias (aqui imaginemos suas jogadas magníficas…)

Que hoje na memória eu guardo e sei de cor (Suas vítimas jamais se esqueceram dos mates que levaram…)

Naquela mesa ele juntava gente (Os perus sempre na volta da mesa um dando palpites…)

E contava contente o que fez de manhã (das viagens que fazia com seu pai indo aos torneios…)

E nos seus olhos era tanto brilho (Encantava até os adversários pela sua concentração…)

Que mais que seu filho (Ah, nunca consegui ganhar do Plínio…)

Eu fiquei seu fã… (Sua simplicidade cativante, mesmo perdendo o admiro…)

Parafraseando a letra da música NAQUELA MESA de Sergio Bittencourt e eternizada pela voz do santanense Nelson Gonçalves ao ser emparceirada a primeira rodada a surpresa ficou por conta do multicampeão Plínio o Jovem que fora alijado para a mesa quatro. Houvera, quiçá, um erro de emparceiramento? A dúvida pairou no ar. Mas acontece que apesar do suposto ou da pretensão de favoritismo do Plínio, o primeiro critério de emparceiramento para dar início ao torneio, o BFXC sempre utiliza a tabela de rating local, cuja força do Júnior está em 2000 e os sete que estavam emparceirados para as mesas melhores (três, dois e a cobiçada mesa número um), por conseguinte estão com rating acima dele. Nada de estresse. Plínio fez alguns cálculos mentais (em segredo) e concluiu que apenas teria chance de ser campeão se vencesse todas as rodadas, pois nos critérios de desempates ele ficaria abaixo porque seu adversário naquele início de torneio estava com elo (o mesmo que rating) muito baixo, apenas 1499. Em sua mente era jogo jogado. Ponto garantido. Apesar de tudo jogou sério e deu mate em poucos lances.

Na segunda rodada as coisas começaram a melhorar para César Júnior. Inesperadamente finalmente chegou à cobiçada mesa um contra  seu algoz no torneio de Manoel Viana em 2018 quando Rafael El Hanini o derrotou. A partida foi tensa. Rafael no comando das peças brancas tinha a iniciativa dos lances. O elo do adversário também era favorável. 70 pontos a mais do que ele. 2070 contra seus 2000. O jogo estava difícil. E como!  Mas como, queiram ou não os palpiteiros de plantão – a sorte sorriu para nosso Plínio. Rafael se apertou no tempo. Foi engolido. Resultado. Vitória do guri de Uruguaiana. Pensou com seus botões. “Ganhei de um cara muito forte. Isso vai melhorar minha situação num eventual desempate pelos critérios – principalmente nos Buchholz!”

Que coisa. Mesmo com o mesmo número de pontos dos três que estavam naquela altura dos acontecimentos com dois pontos a terceira rodada o conduziu para mesa dois. Porque será? Simples. Procurou saber perante o árbitro e o informaram que os dois da mesa um (Roberto Castillo e Pablo Lara) foram escolhidos para ali se enfrentarem porque estavam com rating maior do que o seu. 2014 e 2119 respectivamente.  Paciência. Regulamento é regulamento. Se não concorda é simples. Só não participar e pronto. Deixou para lá. Não teve a mínima dificuldade em vencer Federico Goncalves o filho do mestre Félix Maidana (campeão de Rivera Chico que não pode participar, pois se recuperara de uma cirurgia que fora submetido há dois dias). Mas mesmo assim estava com o sangue quente. Não quis demonstrar. Foi um bom ator.

 

Quarta rodada. Retornou para mesa principal. De negras tinha Pablo Lara pela frente. Não o conhecia. Talvez vagamente ouvira falar dele. Apertou os lábios, cingiu os sobrolhos e lembrou que Pablo fora grande jogador nos anos 90. Isso jaz quase 20 anos. Ao cumprimenta-lo o fitou nos olhos e reparou nas rugas de um rosto sofrido e mãos tremulas. Engraçado não lhe parecera que fora muito velho. Nem cabelo branco tinha. Mas algo de misterioso se passara com aquele sujeito.  Aparentava  mais idade do que tinha. Aí a resposta veio em close por meio de uma voz vinda sabe-se lá de onde. “Mas como poderei estar julgando um cara que não conheço e nem sei sua idade!” Era a voz de sua consciência lhe recomendando cautela e seriedade. Frivolidades não eram recomendadas para o momento. Pelou a coruja do Pablo. No tempo. Mal e porcamente ouviu ele conversar com o Castillo e calculou que seria uruguaio. E estes caras tem a fama de pelo duro… e de jogarem muito. Mas nem sempre fama ganha jogo. Se ele não o conhecia da mesma forma não o conhecia. Resumindo este imbróglio. Ambos eram ianques e nunca haviam se quer se visto. Resumindo. Plínio o Jovem acabou derrotando Pablo o de idade desconhecia e de aspecto envelhecido.

Na rodada seguinte estava cheio de confiança e outro castelhano pela frente. Magro como um junco e de pernas finas Roberto Castillo literalmente desaparecia se ficasse atrás do Plínio que ostenta uma compleição considerável nas três dimensões conhecidas (altura, profundidade e largura). Castillo usou e abusou dos erros. Talvez assustado por aquele jogador que diante dele parecia um Filisteu.

O que está acontecendo. Devem ter se enganado. Salvo quando os torneios pelo sistema suíço são de rodadas duplas, ou seja, se joga duas vezes com o mesmo adversário alternando as cores das peças é que o mesmo adversário surge diante de ti. Mas como pode.  Já havia enfrentado o Rafael na rodada anterior ou duas atrás não lembrava direito e não tinha importância a cronologia. Deveria haver um erro no emparceiramento. Ele de novo. Isso é inadmissível. Recorreu à arbitragem novamente para tirar satisfações e esclarecer o eventual erro.  Ao lado do árbitro questionou o episódio inusitado.  Nicola nada falou apenas pediu para que ele olhasse para trás e tirasse suas conclusões. Qual mesmo era seu problema? Ficou atônito ao perceber que Rafael tinha (tem) um irmão gêmeo univitelino (idêntico). Plinio queria desaparecer de tanta vergonha. Como pode ter agido com tanta insensatez. Aquele era o Gustavo El Hanini. Por sorte jogava menos que seu irmão. Outra vitória fácil.

Por fim a rodada final não poderia ter sido coroada com tanta magistratura. Na mesa principal frente a frente os Plínios.  Jovem contra o Velho. Partiram juntos – viajaram juntos… Chegaram juntos. Nada mais justo que o destino o premiasse com a partida final ambos na mesa principal e foco das atenções. Plínio o Jovem, agora já com outra alcunha – fora comparado com o imperador Júlio  César pelos méritos e conquistas  que o rendeu o título de soberano e grande vencedor do Torneio nº967 do Bobby Fischer realizado na Escola Celina Vares Albornoz que abrirá suas portas para o torneio que comemorará o aniversário da escola dia 25 de maio.

OS PREMIADOS:

Categoria Geral:

1º Lugar: João César Júnior (Plínio o Jovem/Imperador César)

2º Lugar: Rafael El Hanini

3º Lugar: Pablo Lara

4º Lugar: Roberto Castillo

5º Lugar: Gustavo El Hanini

6º Lugar: Imperador Trajano Souza

Categorias especiais:

Campeão cat. B: Federico Goncalves

Campeão CADETE: Federico Goncalves.

Campeão Veterano: João César Plínio o Velho

Campeão Juvenil: León Cáceres

Campeão Jovem: Rafael El Hanini

Vice-Campeão Jovem: Gustavo El Hanini

Campeão Sênior: Pablo Lara

Vice- Campeão Sênior: Roberto Castillo

Xeque-Mate espetacular: Pablo Lara

Partida destaque: Plínio o Jovem X Plínio o Velho

Mérito Desportivo: Guilherme

Participação Especial: Laura Baixinha

Missão Honrosa: Maria Helena

Mérito Desportivo: Tarlison

Espírito Esportivo: Nathiele

Espírito Esportivo: Vitória

Participação Meritória: Viníssius

MENÇÃO HONROSA: ESCOLA CELINA VARES ALBORNOZ

Fotos

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