No aniversário de 64anos da Escola Celina Vares Albornoz, o rolo compressor pilotado pelo jovem Federico Maidana fez o maior estrado neste último domingo dia 2 de março/2019.

Federico Maidana é um jovem calmo, sempre sorridente – de boa paz e disposto. Naquele (ou neste) domingo dia 26 de maio chegou cedinho à Escola Celina Vares Albornoz.  E logo – como se combinassem, encostou outro táxi de Rivera. Era o uruguaio Alexander Ferrada de Tacuerembó. Apesar de estar se recuperando de uma cirurgia em no olho direito, fruto de uma intervenção oftalmológica séria e delicada – Ferrada  fez questão de vir até Santana do Livramento para prestigiar este importante encontro que homenageara o aniversário da escola. Alexander sorriu com certo cansaço no olhar anunciando que estava ali para cumprir sua promessa e integrar a história do Bobby Fischer Xadrez Clube que estava promovendo o torneio número 971.

Não tardou para começarem a surgir os demais enxadristas que iriam disputar o torneio de xadrez comemorativo promovido pelo Bobby Fischer Xadrez Clube. E como não poderia deixar de ser o assunto gerou em torno da fortíssima equipe de Bagé – chefiada que era pelo decano Emílio Mansur e outros tantos indigites que lutariam pelo título. Porém o tempo urgia e nada dos bajeenses chegar. Um, dois, três jogadores tentaram em vão telefonar e mandar mensagens pela ferramenta watsapp, mas nenhuma resposta. Estariam em algum ponto cego na estrada entre Santana do Livramento e Bagé? Talvez! Não podia se ter certeza de nada.

E foi de repente que um dos celulares deu sinal de vida…. “PING” era um típico sinal de mensagem no watsapp de alguém! Múltiplos olhares foram trocados.  Seria o meu disse Rafael El Hanini. Sacou-o do bolso da jaqueta – estava relativamente frio naquela hora, perto das 09h00min da manhã e a resposta foi negativa. Assim como num jogo de empilhar dominós um a um foi acusando não ser dele o sinal recebido.

“- E tu Nicola disse Hallan Carrion não é o teu celular que está recebendo chamada?”

“ – não sei, disse, deixa eu ver. Bingo é o Mansur. Pessoal, nem queiram saber a zebra que deu. Acreditem!”

Consternação geral. Será que aconteceu algum acidente foi a pergunta que não quis calar.

Que nada. Eles já estavam na cidade e perdidos. Não sabiam chegar à escola.

Risadas.  Logo jocosamente um comentou.

“- Mas se perder em Santana do Livramento … só podia ser o Mansur!”.

A prudência e a ética jornalística recomenda que não se revele o autor deste comentário. Uma pista apenas. Para quem já se divertiu com o jogo de tabuleiro DETETIVE é bem possível que consiga secretamente descobrir quem disse tal gracejo. Torce abertamente para o clube carioca Vasco da Gama. Tem um irmão gêmeo do Palmeiras. E tem 2050 de rating. Agora é só reunir as peças e desvendar o mistério.

Depois de esperar algum tempo que pareceram horas – surgiu uma camionete Toyota Hilux branca com placas novas do MERCOSUL que não indica a cidade de origem. Vidros escuros não revelavam seus ocupantes. Quem seria.  O carro novinho dava a impressão de ser de algum magnata. Nem tanto. Se fosse – andaria de Mercedes, BMW ou um Rolls-Royce. Possivelmente era alguém pedindo informações. Quiçá um turista.

A Toyota Hilux estacionou meio atravessada. Desligou o motor e o silencio só não foi maior do que a expectativa. A porta abriu e quem surgiu? O bom e velho Emílio e sua equipe integrada pelo ministro Paulo Brossard, Ramiro Menezes e Guilherme Oliveira – estes dois últimos nunca haviam estado aqui em Livramento. Já o motorista e seu arauto são figuras repetidas e temidas aqui nos torneios do BFXC.

Abraços daqui. Cumprimentos dali – muito saudosismo e a pergunta inevitável tinha que vir.

“- Porque demoraram tanto … como foram se perder…. justamente aqui em Santana ?”

Mansur disse que eles estavam esperando no colégio Professor Chaves – o que sediava até o ano passado todos os torneios.

O relógio marcava 10h30min quando teve início a cerimonia de abertura com o discurso de boas-vindas da diretora Silvia Morais e sua vice Cláudia Diehl. Foi relativamente breve. O evento estava atrasado. Das quatro rodadas programadas para manhã apenas duas foram disputadas e sem nenhuma surpresa. O grande favorito e rating mais alto estava dominando e prestes a receber a escritura de posse da mesa 01. Só podia ser ele – Mansur com seus 2133 pontos no ranking.

O GRANDE ALMOÇO DE CORTESIA

Azar de quem estaria de regime. O frondoso almoço foi o resultado da união das mais qualificadas CHEFS GOURMET –  Rosa Maria do Canto Pereira(mãe de uma aluna), Marta Aires da Rosa (Integrante Executiva do Conselho Escolar do Celina), Iara Regina Cabral Morrudo (Supervisora da Escola),  Sílvia Morais (Diretora do Celina Vares Albornoz) e de sua vice Cláudia Diehl que gerencia o projeto Escola Aberta. O cardápio servido  consistiu em um espetacular risoto de frango com mais carne do que arroz, com cobertura e recheio com seleta de legumes –  acompanhamentos dos mais variados como batata palha, queijo ralado, tempero verde, molho de pimenta para os sequiosos, vários tipos de salada verde e salpicão além de diversos refrigerantes. Tudo gratuito e à vontade. Poder-se-ia comer e repetir tanto quanto aguentasse. E de tarde além do bom e velho chimarrão foi disponibilizado café para acordar os mais sonolentos e cansados.

O TITANIC COMEÇOU A AFUNDAR

 Após o almoço e sem intervalo demorado – na verdade apenas o tempo suficiente pra que a mesa onde estava servido o Buffet oferecido pelas CHEFS GOURMET fosse liberada teve início a terceira rodada. Mansur, o poderoso – seguiu na mesa principal e com ele o anseio pela escritura definitiva. Novamente comandando as peças brancas a vitória era praticamente inevitável. Até por que à sua frente estava o velho Gilberto. Na teoria jogava menos e estava com alguns problemas sérios de saúde. A partida estava realmente fácil. Ganha no tabuleiro e no tempo. Com praticamente quatro minutos e alguns bons segundos contra um minuto e 22 segundos tudo se resumia a ter paciência e conquistar a terceira vitória.

Mas como o jogo só termina quando acaba – Mansur neste momento deve estar lendo esta crônica e se perguntando. Como perdeu aquela partida ganha?! Nem ele sabe ou soube explicar. Tudo se resume a magia do xadrez. Quem está vivo sempre está sujeito a morrer. E a Mansur não fugiu à regra. Saiu da mesa um e suas pretensões agora irão requerer mais empenho.

Quarta rodada, Rafael – o Hanini, sim só pode ser ele, por que não havia outro inscrito, caiu de paraquedas na mesa principal contra o filho do Félix que tinha uma surpresa escondido no bolso de seu casaquinho de lã.  Federico em várias oportunidades desta partida colocou a mão no objeto e ficou tentado a usar. Seria devastador se assim o fizesse. Quase precisou. Por que até o décimo lance estava tudo dentro dos conformes. Ambos estavam  se respeitando…. Estudo mútuo. Se algum cometesse o menor deslize que fosse, ah, seria fatal. Até ali não havia trocado nem um Peão sequer. Dois leões rosnando e medindo forças. Rafael conseguiu centralizado um Cavalo. Como sempre se recomenda…. quanto maior a vantagem…. maior a concentração. O clone do Gustavo num movimento (ou vários) como num passe de mágica cedeu a vantagem e deu no que se viu, o filho mais novo do Félix Maidana se aproveitou e pelou a coruja de seu adversário e ficou aliviado por não precisar usar sua arma secreta. Enquanto isso, ainda com ego ferido pelo riverachiquense  Mansur descontou toda sua ira contra o ministro Paulo Brossard na mesa três.

Na quinta rodada Mansur se aproxima da mesa um – ele tem pela frente o espelho do Rafael, ou seja, seu irmão gêmeo univitelino apenas cinco minutos mais velho do que ele. Emílio ainda não se conforma. Olha desconsolado para seu lado esquerdo e deslumbra a ilusão de voltar à cobiçada mesa principal.

Como dizem por aí… “um olho no peixe outro no gato”… de canto de olho Mansur vê o tabuleiro e outro a dupla em seu sonho de consumo Gilberto de Los Santos contra Federico Maidana se e enfrentarem pela à concessão definitiva pela extração e exploração dos privilégios da mesa um.

A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE…

Caso sofresse mais uma derrota o preço daquele precioso terreno seria elevado às alturas e praticamente fora de seu alcance. Porém Mansur derrotou Gustavo Hanini com muita facilidade e ainda viu ascender sua esperança quando Gilberto usou a fantasia de zebra e venceu Federico. Emílio ganhou vento na camisa e aguardou o emparceiramento da sexta rodada. Já não tinha mais unha para roer. No fundo ele estava torcendo pelo decrépito uruguaio sessentão que o derrotara na terceira rodada.

Agora tudo dependia dele. Ambos estavam de quatro e praticamente só eles lutariam pelo título – pois o outro de mesma pontuação – o Hallan Carrion, perdera para Rafael permaneceu nos quatro  enquanto aquele que não é o Gustavo  foi para três pontos.

FEDERICO FINALMENTE USOU SUA ARMA SECRETA…

Maidana que de bobo só tem a cara e o jeitão, foi esperto e sem que Mansur pudesse reagir ele pegou a chave secreta e embarcou na sua patrola com rolo compressor com placas de Rivera e pôs a funcionar a todo vapor.  Mesmo que as partidas não tenham sido anotadas em planilhas – estima-se que lá pelo lance 25 ou 26 a situação estava controlada pelo representante de Bagé. Com um peão fincado f2 com sua Dama em g4 e outras peças grandes em cima do Roque de seu adversário e com um pouco de mais tempo n555o relógio digital – deixara Federico acuado e com alternativas arriscadas. Deveria ser ousado e assim foi.

Federico num ato de desespero propôs uma troca de Damas na casa e4. Mansur deve ter visto tudo, mas não o obvio. Esta troca foi ruim, péssimo para ele. O que se viu a seguir foi que Federico patrolou colocando duas Torres na coluna e tendo dois Peões passados e livres, um em d6 e outro em e5. As negras pareciam boca de velho – sem os quatro dentes da frente e não tendo como evitar a promoção de um deles. Solução. Abandonar.

DE VOLTA À TERRA PROMETIDA…

15h55min última rodada. Mesa um, Emílio Mansur contra Rafael El Nanini.  Que?  Mansur perdeu e foi sentar no cobiçado COCKPIT da Mercedes pilotada pelo inglês Louis Hamilton da Formula 1 – que transpondo para nossa realidade é a cadeira amarela acolchoada e de rodinhas da mesa um e no comando das peças brancas. Se vencera o irmão, certamente geneticamente também seria tão fraco quanto tal e não encontraria dificuldades em conquistar sua quinta vitória em sete disputadas. Rafael, a exemplo de Gustavo também sentiu o gosto amargo da derrota.

Mas acontece que não havia motivos para correr, saltar e dar soco no ar como imortalizara o gesto o rei Pelé em 1970 na Copa do Mundo do México. Até pensou, mas na mesa ao lado Federico usou seu rolo  compressor para amassar Hallan Carrion e com seis pontos sagrar-se campeão do torneio 64 anos da Escola Celina Vares Albornoz.

CLASSIFICAÇÃO FINAL

 Os seis primeiros Ganharam medalhas

Clas. Nome                    Rating Cidade         Pontos Vit. Buch. Berg. Progr. M-Buch.

  1    Federico Maidana,         1570 Rivera Chico 6         6  26.5 21.50   25.0    19.0

  2    Emílio Mansur,            2133 Bagé         5         5  29.0 18.00   21.0    20.5

  3    Ministro Paulo Brossard,  1977 Bagé         4.5       4  27.0 14.75   17.5    18.5

  4    Hallan Carrion,           1526 Livramento   4         4  25.0 12.00   18.0    17.0

  5    Ramiro Menezes,           1800 Bagé         4         4  23.0 12.50   18.0    15.5

  6    Guilherme Oliveira,       1800 Bagé         4         4  22.5 10.50   17.0    15.5

 

 Aos Campeões nas seguintes categorias

Mirim: Tarlison Lopes

Cadete: Alfredo Avilloz

Jovem: Gabriel Ramos

Juvenil: Rafael El Hanini

Senior: Miguel Dias

Veterano: Alexander Ferrada

Menção Honrosa: Laís Quevedo

Atuação Destacada: Guilherme trindade

Mérito Desportivo: Vinicius Quevedo

Espírito ESPORTIVO: Laura Trindade

 

CLASSIFICAÇÃO FINAL POR CIDADE

Class. Cidade     Pontos

  1    LIVRAMENTO   28.5 

  2    BAGÉ         17.5 

  3    RIVERA       11   

  4    RIVERA CHICO 6    

  5    TACUAREMBÓ   2    

Fotos Praça de alimebntação e as Chefs Gourmet…

AS DISPUTAS:

PREMIAÇÃO:

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