Ele voltou. E ficou por cima de todos. Em alguns casos sempre por trás.  Não deu a menor Chance. Gustavo El Hanini até esperneou  e conseguiu ficar na meia. O mito insiste em defender a tese do que quem sai com as negras invariavelmente se dá mal. Mas como sempre existem as exceções – Roberto Castillo, o ídolo riverense do início do século que lhe rendeu muitas manchetes, autógrafos e fotos com turistas na Avenida Sarandi (Rivera) que o reconheceram em jornais locais (Diário Jornada, Diário El Norte e A Plateia) enquanto caminhava numa ensolarada manhã de um sábado. Constrangido e cansado dos assédios – Castillo resolveu trocar seu trajeto e começou a caminha na via lateral. Não resolveu. Na Calle Agraciada – a famosa rua dos deliciosos fiambres e queijos uruguaios…. voltou a ser avistado e as cenas se repetira.

Do estrelato ao limbo do anonimato…

Os anos passaram e com eles a idade. Já não tinha toda aquela virilidade da década de seu apogeu. Aos poucos sua imagem foi escasseando e não mais aparecia nas manchetes. Como consequência pode curtir o anonimato. Sentiu saudades. Olhava para aquela centena de milhares de turistas, esboçava um sorriso, colocava as mãos nos bolsos, levantava o queixo …. cumprimentava…. mas nada, ninguém o reconhecia. Era um misto de alívio e reminiscência. Não faz mal. A vida seguia seu curso. Nada e ninguém que ele conhecesse permaneceu a vida toda no auge e fora reconhecido mês mesmo de anos. Estava errado. Se ele fosse, por exemplo, Élvis Presley – mesmo em sua decrepitude seria reconhecido. Mas ele não era. Deixou de pensar bobagens e logo avistou um camarada que talvez o reconhecera. E mais. Estava num carro de cor e vidros escuros. Quem seria. Seguiu caminhando. O relógio do seu celular marcava quase 14h00min quando a buzina do veículo despertou sua atenção…. aí respirou fundo e tratou de atravessar a rua e ver do que se tratava. Talvez um turista pedindo informações. Logo descartou esta opção ao discretamente ver a placa. Era de Rivera. Mas como havia iniciado a caminhada se aproximou do lado do motorista.

A surpresa logo veio em closed.

Ao abaixar o vidro era ninguém menos do que o Imperador Trajano lhe oferecendo carona. Ambos se dirigiam até a Escola Celina Vares Albornoz de Santana do Livramento onde dali um pouco iniciaria o TORNEIO NÚMERO 972 do Bobby Fischer Xadrez Clube que está em contagem regressiva para atingir a marca histórica de mil torneios. Esta carona veio bem a calhar. O  local é longe e ele estava recém  passando pelo marco da linha divisória na entrada (ou saída) da Avenida Sarandi. Seria uma pernada e tanto e quiçá penosa  para Castillo  e suas fininhas e de pele muito fina e sensível – uma herança genética de sua avó como em outra ocasião confidenciou. Como a vida prega peças. Ganhar uma carona justamente do seu algoz – para quem não sabe ultimamente RC tem perdido partidas eventualmente ganhas para o Imperador Trajano que tem como seu maior liderado a legião que conquistou o norte do Uruguai. Roberto Castillo logo procurou despersuadir seus maus pensamentos e se focar no torneio. Estava determinado a vencer. Neste foram convocados só os melhores de cada ranking. Não haveria nenhum capivara. A meta era ganhar ou vencer, não importando a ordem dos fatores.

RC um campeão de fato e de direito!

Dos 16 pontos em disputas – só para se tenha uma ideia da força e da gana que RC veio jogar este torneio, ele conquistou 14,5. Um desempenho de mestre. Nenhuma derrota. Só encontrou dificuldade – como já podemos observar no lead acima desta crônica, foi contra Gustavo  El Hanini que no comando das peças brancas não teve forças – talvez oportunidade, de impor seu jogo e acabou empatando. Não foi um resultado desastroso. Isso porque RC venceu todas as demais partidas e ainda levou no bolso de carona o Gustavo que ficou em segundo lugar.

 

Este título teve seus méritos. Voltou à Primeira Divisão agora com 2010 pontos. Castillo que – por aqueles momentos instáveis que lhe rebaixaram para a metade da tabela de ranking da divisão de acesso, um duro golpe, diga-se de passagem, pois fora jogador de mais de dois mil pontos de Elo e estava jogando com um convite honorário especial e intransferível um reconhecimento da organização pelos seus méritos e conquistas de um passado recente quando assustava quem quer que fosse sentar à sua frente. Não houve nenhuma reclamação dos líderes muito menos protesto. Como sabiam da pindaíba por que RC estava passando – entendamos aqui que este substantivo se refere ao seu desempenho no xadrez – todos ficaram felizes porque seria outra bela oportunidade de confirmarem vitória contra um enxadrista extremamente decadente.

Ledo engano.  RC começou a empilhar vitórias em cima de massacres homéricos. Seria aquele magrinho o mesmo Roberto Castillo? Perguntaram ao Imperador Trajano se não se enganara e trouxera outro cara. Em absoluto disse Trajano é o Castillo mesmo. Mas como? Estaria turbinado? O seu cigarrinho palheiro era outra coisa além de fumo? O cercaram no pátio durante um dos intervalos e atestaram que não! Era fumo mesmo. De uma forma ou de outra, após quase dez anos havia recuperado a fantasia do álter ego do Tiago Braz que costumava usar o uniforme de Menino prodígio ou Robin dos Pampas. Estava jogando como tal. Arrasador!

 

O coffee break

A vice-diretora da Escola Celina Vares Albornoz e Responsável MOR pelo projeto Escola AbertaCláudia Rejane Diehl Gonçalves ofereceu um coffee break para o pessoal recarregar as baterias e fortificar o cérebro do Esporte/Ciência e Ginástica de Inteligência e da Lógica.

 

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OS PREMIADOS

Roberto Castillo de Montevidéu.

Gustavo El Hanini de Santana do Livramento.

Rafael El Hanini de Santana do Livramento.

Imperador Trajano de Rivera.

Alfredo Avilloz de Rivera.

León Cáceres de Buenos Aires.

Miguel Dias de Santana do Livramento.

 

Fotos dos confrontos:

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