Os dois primeiros domingos do mês de Julho foram especiais para um integrante da família Bobby Fischer Xadrez Clube – não pela chegada do frio que particularmente ele não gosta, mas pelo fato de entender o quanto é difícil se manter no topo.  E pior. Mesmo vencendo ele perdeu. Logo entendeu porque os mestres cobram tão caro para emprestarem seus preciosos pontos de rating para que os capivaras tenham oportunidade de escalarem o ranking rumo ao topo onde ele se encontra.

Tarde do dia sete de julho…

Um domingo ensolarado com cara de feriado de páscoa. Termômetros ali no alto da Escola Celina Vares Albornoz deveriam estar marcando entre sete a dez graus Celsius. Conjecturas, pois na certa ninguém medira e tampouco estava preocupado. Queriam, sim, era que começasse logo o torneio de número 974 do BFXC. Seria uma atividade rápida. Apenas cinco rodadas de 16 minutos por jogador no bom e velho relógio à corda. O Bobby Fischer, apesar de ter material de jogo de primeira linha entre peças e tabuleiros – ainda não se deu o luxo de adquirir relógios digitais. Não que não quisesse, mas – bem, vamos combinar que …. vamos deixar para lá.  Só não vem ao caso como também foge do tema central desta notícia.

Marcado que estava para iniciar as 14h00min e tudo previamente arrumado desde o dia anterior – novos personagens começaram a chegar se mimetizando com as caras conhecidas. Os primeiros e realmente pontuais foram os gêmeos El Hanini, Rafael e Gustavo que escoltavam o novato Gonzalo La Posta. Um simpático e carismático uruguaio que não teve nenhuma dificuldade em se enturmar. Marcou também esta atividade que busca o milésimo torneio –  o retorno do orientalPedro Bustamante (esquerda)  que veio escoltado por seu irmão mais velho que não joga xadrez, mas se mostrou bom de conversa e de mate. Bustamante, o mais jovem se destacou como campeão na despedida de sua categoria. No próximo ano ele deixará de ser jovem e sim juvenil. Os pelos na palma de sua mão deixarão de crescer. Pelo menos esta é a ideia e regra geral para quem troca de fase.

Este torneio 974 também marcou o retorno de um velho e decano do xadrez do BFXC – ninguém menos do que Sandro Alex Rodrigues que trouxe junto dos seus grisalhos e já escassos cabelos  três promessas para o xadrez santanense – seus filhos, Sofia, Felipe e Virginia. Sandro era pura reminiscência do tempo em que ele começou a jogar no Bobby Fischer e na Farmácia Vamari’s do Valmir Souza ainda quando era da categoria cadete. Uma característica Sandro não perdeu. Continua sério e sisudo – de difícil sorriso.

Com trinta e cinco minutos de atraso (tolerável) – 14h35 o torneio teve início e a moeda foi lançada para o alto. Cara ou Coroa. Deu Cara. E esta era a face de um dos gêmeos. Em especial do que está com o rating mais alto. O Rafael. Normal. O programa fora informado de que o primeiro e único critério de emparceiramento é o rating local, ou seja, do Bobby Fischer. E naquele momento aquele que não era o Gustavo estava com 2029 e era o Cara do torneio.

E assim foi….

Nas três primeiras rodadas em sequencia não teve nenhuma dificuldade em vencer o Vegano Hallan Carrion, o jogador argentino da juba e dentes afiados que mordera quatro no mês passado em Barra do Quaraí  que aqui chamamos de León Cáceres e Marquinhos Gomes.

As coisas foram mais difíceis quando teve pela frente o imperador Trajano que soube manobrar seus pelotões e após um cerco bem calculado não deixou que Rafael se infiltrasse e o combate terminou como iniciou. Entre mortos e feridos ambos apertaram as mãos e selaram um pacto de não agressão e cada um tomou direções diferentes acordando com um empate. Para o CRUZMALTINO não foi lá muito ruim.  O mesmo não se pode atribuir ao imperador.

ESPELHO,ESPELHO MEU….

Ambos apontaram na planície da ultima rodada – um de cada lado com direções e adversários antagônicos. Enquanto comandando as peças brancas Trajano investiu suas legiões contra Federico Maidana – inegavelmente um adversário de respeito e muito forte. Rafael imaginou estar diante de um espelho. O primogênito tinha ao seu favor pelo menos cinco minutos a mais de experiência de vida quando seus neurônios se rebuscaram do que seus ancestrais tinham do bom e do melhor guardados para lhes repassar. E talvez tenha sido aqui o ponto nevrálgico que culminou com sua vitória.

O Sol estava no zênite ao leste delineando ao fundo as silhuetas das torres da eólica quando teve início a cerimonia de premiação. Como o imperador – talvez com suas legiões cansadas quando defenderam suas posições das investidas do Rafael El Hanini não conseguiu vencer Federico, mas também não perdeu. Foi seu segundo empate consecutivo. Como estava com 3,5 os quatro pontos foram suficiente para lhe garantir a segunda colocação no torneio. Ao seu lado Rafael venceu seu irmão mais novo e sagrou-se campeão com 4,5 pontos.

O império agora tinha sua moeda cunhada com duas caras e de valores diferentes. A com face do imperador Trajano valia 4,00 ao passo do que a que tinha a estampa do Rafael era única até então conhecida no mundo civilizado que tinha valor quebrado – 4,50.

A SEMENTE COMEÇOU  GERMINAR… torneio 976

 Uma semana se passou e neste meio tempo o BFXC teve uma atividade especial. A convite da professora Yara Zamberlan da 19ªCRE (Coordenadoria Regional de Educação do Rio Grande do Sul) nosso presidente organizou e arbitrou a etapa municipal dos Jogos Escolares do Rio Grande do Sul (JERGS) da modalidade do xadrez (Torneio 976 do BFXC) – disputada que foi no auditório da Escola Celina Vares Albornoz de Santana do Livramento e classificou os dois primeiros de cada categoria e naipe para a etapa regional que por sua vez reserva o direito da disputa da grande final aos primeiros lugares em local e data ainda a serem definidos tanto do regional como a grande final gaúcha. Como saldo positivo desta atividade intermediária foi a adesão de  novos nomes aos torneios semanais do Bobby Fischer que são disputados paralelos à oficina da Escola Aberta do Celina que ocorrem aos domingos a partir das 14:00 e abertas à comunidade em geral que saiba ou deseje aprender jogar xadrez.  Contudo não foram apenas os alunos desta competição que começaram a frequentar, mas seus amigos, pais e demais anônimos que começaram a frequentar a Escola.

Estão classificados para etapa regional os seguintes alunos:

DOMINGO, 14 DE JULHO…

 Os relógios marcavam 07h40min. O dia prometia ser mais um  daqueles domingos para sentar ao sol e degustar um belo chimarrão para mais tarde , quem sabe – dar uma lagarteada comendo bergamota e algumas laranjas. Isso sob o ponto de vista de uma pessoa normal. Mas por se tratar de um enxadrista se apaga toda cena acima e tentemos adentrar um pouco e m seus pensamentos. De cara vem em mente – se fosse um jogador é claro, que tipo de abertura vou jogar se tiver que enfrentar este ou aquele adversário. E se vierem os enxadristas de Bagé? Enfrentar o Emílio Mansur, quem sabe o Ignácio Marrero – deus do céu o que farei? Eles estão em outro nível. São bons pra burro. Burro? O que tem a ver este pobre animal? Aposto que deve ser mais esperto do que muitos que conheço.  É só uma forma de expressão tagarela o suposto enxadrista que diante de sua imagem no espelho enquanto faz sua higiene matinal.

De repente tudo muda. O tempo fecha. Se arma para chuva. Do azul anil pra um céu acinzentado e hostil. Dá um frio na espinha. Se chover será que sai o torneio. Então por fim chove. Não literalmente como seria obvio supor, mas de mensagens no watsapp do presidente Nicola perguntando sobre a realização ou não do torneio sob aquelas circunstancias e incertezas meteorológicas. O que responder. O óbvio. Mesmo que caia canivete sempre um ou outro vai e compromisso deve ser cumprido e às vezes até comprido.

Perto do meio-dia há uma reviravolta e o dia 14 entra numa máquina do tempo e retrocede uma semana. Estava tudo igualzinho ao domingo anterior. Que domingo lindo. Pasqualino. Ideal para o xadrez. Como de costume Nicola tratou de ser o primeiro a chegar e já com tudo arrumado no dia anterior restava agora esperar os inscritos. Coincidência a parte o dia era 14 e o número de inscritos também 14. Pena que a Tropa de Elite de Bagé não pode comparecer. Não podemos negar muito menos ignorar o fato de que viajar 320 quilômetros de Bagé à Santana do Livramento para disputar um torneio de apenas cinco rodadas numa tarde não é lá muito conveniente muito menos economicamente viável. Convenhamos Mansur, Marrero e companhia já dezenas e dezenas de empreenderam jornadas nestes últimos 20 e tantos anos e não é nenhum demérito não virem num ou noutro torneio – muito pelo contrário. Eles tem cadeira cativa e a chave simbólica de  nossa cidade.

Desta vez, porém, havia um jogador mais ansioso. Augusto Samuel Pereira Soares (foto ao lado) de 15 anos – estudante da escola Cyrino Luiz de Azevedo esperava encolhido de frio sob o sol das 13h00min há bastante tempo sob a proteção e guarda seu irmão mais velho que mora em Alegrete e estava de passeio visitando seus pais.

Não tardou para chegarem os demais debutantes – o outro representante da escola Cyrino Luiz de Azevedo Matheus Fernandes Ramos, Fernando Rodrigues Rodrigues do Hector Acosta, Iuri Alves Silva estudante do curso de Magistério Do colégio Dr. Carlos Vidal e do pequenino Renan Carvalho de Azevedo do Alceu Wamosy que veio acompanhado de seu pai Cleder que a exemplo do riverenses Álvaro Texera integram a nova safra de jogadores do Bobby Fischer que se juntaram ao Vegano Hallan Carrion, os gêmeos El Hanini, Imperador Trajano, ao sempre alegre e sorridente Miguel Dias perdendo ou ganhando – ao veteraníssimo e por demais gente boa Gustavo Tramutolo e sem esquecer o ídolo riverenses com sua característica marcante Roberto Castillo. Qual é a característica não se esqueceu de informar? Ah, sim, o bom e velho palheiro de fumo aromático e as canelinhas de palito são as marcas registradas deste espetacular e tétrico enxadrista.

A PRIMEIRA vez nunca se esquece!

Como não poderia ser de outra forma – os novatos, sem exceção, todos enfrentaram os ranqueados. Experiência maravilhosa.  Todos perderam com dignidade. Ninguém foi massacrado. Jogaram xadrez como recomenda a cartilha da ética. Perderam e saíram satisfeitos. Se transpormos esta analogia para outro esporte – neste caso o automobilismo, ter diante de si um jogador de elite é o mesmo que sentar num cockpit de um carro de Fórmula 1. Se for conseguir andar em linha reta ou até mesmo alcançar nos pedais – ah, aí é outra história. Mas só o fato de chegar próximo de um e sentir, mesmo que seja do lado de fora, mas perto o bastante para se arrepiar – o ronco do seu motor ou o bafo se sua respiração exalando todos aqueles cálculos mentais esta experiência não tem preço o tempo que apague.

Por exemplo, Iuri enfrentou Tramutolo e mesmo perdendo ficou deslumbrado. Lembrou orgulhosamente desta partida. Disse que cada movimento era precedido de uma defesa e um ataque multidirecional que jamais havia visto a não ser no computador. Só que na máquina as partidas são frias sem emoção. Foi então que ele ganhou vento na camisa e se motivou a seguir disputado as etapas seguintes do BFXC e a exemplo dos demais novatos vão convidar e tentar motivar outros colegas a virem ao Celina sempre que tiver atividade do Bobby Fischer e da Escola Aberta. Ninguém ficou de cara fechada com a derrota. Entenderam que ali começara uma nova etapa, um degrau acima que eles deveriam começar a escalar. Mais alto para uns menos para outros, mas igualmente deverão se dedicar.

Passada esta primeira rodada as quatro seguintes seriam (e como realmente foram) verdadeiros enfrentamentos de Titãs. Com exceção dos únicos top dois mil – Rafael El Hanini (2032), Roberto Castillo (2010) e Gustavo El Hanini (2003) e um postulante com 1956 Imperador Trajano Souza – que brigariam realmente pelo título, abaixo deles seriam partidas mornas. Porém não foi bem o que se viu. Na prática ocorreram belos confrontos até a última rodada quando a inesperada derrota do Roberto Castillo para o Imperador lhe tirou o título e seis pontos no ranking. Se porventura o ídolo riverense das canelinhas finas tivesse vencido chegaria aos mesmos 4,5 do Rafael e venceria com folga nos critérios de desempates. Mas ele deve estar até agora pensando naquele peão que não capturou estando melhor na posição com uma Torre em sétima bloqueando todas eventuais tentativas de ataque do imperador acrescido da diagonal semiaberta do seu Bispo da casa branca. Castillo estava melhor na posição. Então porque entregou o jogo? Seria pela carona? Talvez! Quem saberá a resposta que não seja ele mesmo?

Não podemos deixar de louvar a grande jornada  empreendida por Álvaro Texera (foto direita) que ficou na quarta colocação ingressando no torneio na segunda rodada e sem ter ganho um bye de bonificação –  do também estreante Iure Alves em sexto,  Miguel Dias, Augusto Samuel, Hallan Carrion e Cleder Azevedo. Também jogaram como gente grande sem se intimidarem os irmãos Laura e Guilherme(esquerda), ambos estudantes da escola Celina Vares Albornoz. Todos receberam prêmios da organização como lembrança desta atividade 975.

 

 

 

REFORMA MONETÁRIA E UNIFICAÇÃO DAS MOEDAS

 

Já estava em circulação há algum tempo esta moeda de duas faces diferentes e valores no mínimo inusitados. Até onde se conhece calores com centavos só se for pago com cartões, boletos, cheques ou moedinha específica. Neste último caso não são raros os arredondamentos e sempre pra mais. De 0,59 para 0,60 e assim por diante. Nos torneios do BFXC circulavam 4,00 com a lápide do Imperador Trajano e 4,50 do Rafael. Contudo depois deste último domingo dia 14 quis o destino e por força das circunstancias que a moeda de 4,00 fosse substituída pela de 4,50 – isso entrou em vigor recentemente, mas está longe de ser uma decisão definitiva do COPOMBFXC (um órgão ligado à Secretaria da Fazenda do Bobby Fischer Xadrez Clube).

A decisão do COPOMBFXC levou em consideração os recentes resultados quando Rafael sagrou-se Bicampeão e Trajano Bi-vicecampeão, em ambos os casos 4,5 contra 4,0. Só que Rafael por contingencias do formulismo e pelo fato dele até o momento estar com o rating mais alto seu coeficiente para ganhar pontos no ranking era de 4,80 e como ele fez apenas 4,50 por consequência perdeu um ponto, pois a média geral deste torneio era abaixo do seu rating e ele passou dos 2032 para 2031.

Já o imperador neste mesmo torneio ficou em segundo lugar quando obteve quatro vitórias e uma derrota ficou com o mesmo rating de 1956. Acontece que do contrário do Rafael o programa calculou para ele um expoente de 3,95 pontos para que ele dos cinco em disputa. Como ele ficou na média não perdeu nem ganhou pontos.

As atividades do BFXC terá uma pausa e será retomada dia quatro de agosto com o TORNEIO 977.

Fotos torneio 974

PREMIAÇÃO TORNEIO 974

FOTOS TORNEIO 975

PREMIAÇÃO

FOTOS JERGS – Etapa municipal torneio 976 do Bobby Fischer

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