Talvez motivado pela inesperada ausência do grande Imperador Trajano Souza – ao qual invariavelmente se transformou em um temível algoz  massacrando seus súditos sem nenhum constrangimento ou remorso.  Este cenário pelo menos se registrou nos últimos três torneios do Bobby Fischer Xadrez Clube o que de sobremaneira desestimula a concorrência e acirra  a luta feroz, sempre, pelo segundo lugar para baixo. No entanto há um mistério a ser desvendado. Por que será que –  aquele que não se chama Gustavo nem o que não se chama Rafael  decidiram não participar do torneio 983 facilitando ainda mais a vida do Trajano na conquista de seu tri campeonato. Teriam ambos programado um descanso estratégico  para estudar uma forma de como neutralizar as ações do imperador e impedir seu iminente tetra? Isso com certeza jamais saberemos por que Trajano não veio disputar a etapa 985 e teremos que esperar até o próximo domingo   dia 13 quando haverá a realização da etapa 986 do BFXC em busca do milésimo torneio.

  botou as manguinhas de FORA…

Se aquele que não é Gustavo não perdeu nenhuma das sete partidas disputadas – o que não é Rafael  também. A diferença reside no número de vitórias. Enquanto o que venceu o torneio conquistou seis vitórias e um empate terminando na liderança com 6,5 pontos – o outro teve dois empates e uma vitória a menos o que lhe conferiu a medalha de vice-campeão com 6,0 pontos. O ponto em comum entre aquele que realmente é o que não é está nas derrotas. Nenhum perdeu. Mas fica por aqui, pois o que não é ganhou 42 pontos e passou para 2085 de rating ocupando a oitava colocação no ranking da primeira divisão. O outro ganhou 84 pontos  e foi para 1981 de rating ficando em TERCEIRO na divisão de acesso à categoria de elite faltando apenas 19 pontos para chegar aos 2000 e subir ao grupo de elite.

Mas se engana aquele que pensar que no domingo tinha galinha morta. Bem na verdade tinha algumas. E também galos velhos que jogavam bastante bem. Jogavam não é uma forma respeitosa de se dirigir aos excelentes  Leonardo Araújo (2009 de rating) e os uruguaios Gustavo Tramutolo e Gilberto de Los Santos. Eles jogam bem. Só que na ausência de adversários mais à altura – a dupla, o que é e o que não é – fez valer a fama e deu no que deu. Campeão e Vice.

O PASSEIO…

Já a partir da primeira rodada o que não é Gustavo começou a dominar a mesa um e empilhar vitórias. Sua primeira vítima foi o imperadorzinho Augusto Samuel  que aguentou a pressão por menos de seis minutos e sucumbiu. Na sequencia foi um dos galos velhos que se calcula que tenha aguentado talvez um  minuto a mais – nada além. Olha que o velho Gilberto vem de uma linhagem de sangue azul (nobre) da velha guarda do Bobby Fischer Xadrez Clube. Um colecionador de troféus. Mas não deu! História e fama não enchem barrida. Com dois pontos e sendo naquela altura dos acontecimentos o rating mais alto entre os participantes (2043) na terceira rodada aguardou seu adversário tranquilamente. Matheus Assustado não foi páreo e engordou as vitórias do que não é Gustavo que até o momento estava mais para pavão do que galinha ou galo velho.

Com as mãos nos bolsos caminhou agitadamente de lá para cá. Fez cálculos mentais. Não pode deixar de agradecer em silencio, lá no fundo de seu ego – quanto fora benéfico o não comparecimento do imperador Trajano. Tratou de limpar os óculos para olhar seus adversários. Engraçado. Olhava e não via ninguém. Ué, pensou, cadê seus adversários e futuras vítimas. Olhou mais uma vez na altura de seus sobrolhos e nada. Engraçado para onde teriam ido? Talvez fugido? Não. Logo descartou esta hipótese porque seria uma deselegância seria muito grande. Negou-se a acreditar.  E ele estava certo. Acontece que ele não via pela simples razão que todos estavam ainda jogando – sentados em seus respectivos lugares, abaixo de sua visão. Quem mandou ser precoce e vencer muito rápido. Deveria agora esperar pelo seu próximo adversário.

E ele veio. Surgiu atrasado como de costume. Leonardo Araújo outro do trio dos galos velhos. Dois mil e pico de rating. Era a quarta rodada e deveria jogar de Negras no ritmo de 13 minutos contra um dos caras que foi seu ídolo e referencia no xadrez. Tinha um dilema e uma batata quente na mão. Seria ético e justo vencer um ídolo ou falta de respeito? Deveria deixar Leonardo ganhar? Não soube responder até que o inevitável aconteceu. Das duas uma. Ou ele estava com a macaca ou Araújo prestes a virar canja? O que não é Gustavo até tentou jogar menos, mas este pouco foi demais e – mesmo que não aceitasse a realidade, acabou vencendo a quarta partida consecutiva. Um fenômeno. 10 de progressivos.

O RAIO DE SOL…

Seu meio ponto surgiu na quinta rodada e da forma até presumível porque enfrentou aquele adversário, mais fraco é bem verdade, mas sua cara metade – aquele que estava emprestando o nome para ele manter o anonimato e o enigma desta crônica. Se ele tivesse vencido aquele que não era o Rafael teria feito uma lisa e um ¾ do torneio perfeito. Mas quis o  destino  assoprar em seu ouvido pousando no ombro direito como um filete de raio de sol ao entardecer naquele domingo dia seis de outubro alertando-o  para os riscos e consequências de uma eventual vitória que lá na frente traria alegria e tristeza. Foi aí que entendeu, após quase meia hora de jogo, o recado daquela centelha. Certo, decidiu… “Vamos empatar. Será melhor para os dois…” E assim foi.

O melhor de dois mundos veio na penúltima e sexta rodada. Na mesa um aconteceram absurdos que se contar vão dizer que é mentira na partida entre aquele que não é Gustavo e o mais velho dos três Galos. No ritmo de 18 minutos para cada lado – de costas para o sol sentou Gustavo Tramutolo com uma tarefa tão difícil quanto impossível – derrotar ou na melhor das hipóteses não perder para seu homônimo falsificado. Resumindo. Foi uma bela partida com chances de vitórias para ambos. Não tanto pelos méritos, mas pelos erros do adversário que poderia mudar os rumos finais do torneio que até aquele instante parecia estar definido. Em vários momentos tanto um como outro poderia ter vencido. Foram até os finalmente quando um xeque sem fundo em d1 o que não é Gustavo entregou sua Torre limpinha que Tramutolo capturou com seu Bispo que estava maliciosamente abandonado na casa a4. Deixando seu adversário em maus lençóis que só não abandonou porque estava bem melhor no tempo e mesmo assim não seria uma tarefa de fácil sustentação, pois após a perda da Torre, o que não é Gustavo ficou só com quatro peões e seu Rei contra Dama, Bispo e Rei do Tramutolo. A batalha dos favoritos se invertera. Ataca aqui, se defende ali – e Tramutolo finalmente enxergou um xeque na cara do Rei e apoiado pelo seu Rei. Como jogadas previsíveis era cercar e matar a partida em poucos lances. Para aquele que não queria perder e logo via a possibilidade clara de aplicar um sonoro xeque-mate no virtual campeão – ah, que recompensa para um final de tarde de domingo.

-“Estou morto!”

-“Não acredito!”

-“Onde foi que errei?”

Estes eram os pensamentos daquele que não era Gustavo.

-“Vou perseverar, quem sabe?!”

Pensou até em pedir empate, mas seria muita cara de pau e desrespeito com o velho Tramutolo. Se perdesse, bem – paciência. Ninguém é imbatível, mas perder daquela forma não considerava uma derrota e sim um vexame.

Foi então que faltando pouco mais de dois minutos que o Galo velho anunciou, finalmente, o tão esperado xeque:

-“Jaque!” disse Tramutolo num tom de voz baixo quase inaudível devido a três fatores: cansaço pela idade e um misto de emoção  com ansiedade. Quase nem respirava. Mas o que não calculou que este xeque, a exemplo do que tomou há uns  minutos – também era sem fundo e entregou sua valiosa Dama para um Peão que esta ao lado do Rei adversário. Desta forma o cenário mais uma vez mudou.

O que não é Gustavo ficou com três peões passados f6, g6, h5 contra o Rei e um Bispo Caolho do Tramutolo que seria inevitável uma coroação dupla e quiçá até tripla. Caiu a ficha. Ele acordou de um sonho que se transformara em pesadelo em questões de segundos. Abandonou e se deu por satisfeito porque quase venceu. Mas como ninguém fica meio grávida – no xadrez o jogo só termina quando acaba. O que não é Gustavo venceu mais uma e foi para última rodada dependendo só de meio ponto para sagrar-se campeão.

Sétima rodada no ritmo de 21 minutos parecia uma eternidade. Porém o que não é Gustavo teve paciência – lembrou-se dos erros cometidos na partida anterior contra o seu avô tratou de corrigir e venceu Santiago Ruiz, neto do Gustavo Tramutolo  – e com 6,5 pontos venceu o torneio e subiu no ranking do Bobby Fischer Xadrez Clube.

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